O conflito entre lealdade a Deus e a lealdade a uma religião
A tendência da autoridade religiosa de buscar dominar ao invés de servir, e a luta dos que não querem perder sua liberdade de consciência dada por Deus - estes componentes formam a essência da narrativa franca e muito pessoal de Crise de Consciência. O cenário do conflito é a associação de um grupo religioso específico, as Testemunhas de Jeová. Os mesmos temas fundamentais que assinalam esta narrativa, contudo, podem surgir dentro de qualquer religião do mundo.
Começando nos anos posteriores a 1870 como grupo independente de estudo bíblico, formado por um punhado de pessoas em Pittsburgh, Pensilvânia (EUA), as Testemunhas de Jeová já contam hoje com mais de seis milhões de adeptos em cerca de 200 países. Quando sua agência editorial, a Sociedade Torre de Vigia, lança um novo livro, a impressão inicial regular é de um milhão de exemplares, seguidos de outros milhões. Nos países em que estão ativas, poucas pessoas ainda não tiveram contato com as Testemunhas em resultado de sua intensa atividade de porta em porta.
Assim mesmo, para a maioria das pessoas, esta continua a ser uma religião semi-misteriosa. De modo mais notável, bem poucas das próprias Testemunhas têm qualquer conhecimento dos processos de elaboração de doutrinas e criação de normas de sua própria organização. As deliberações de seu Corpo Governante, que tem autoridade mundial, ocorrem em total sigilo. Assim mesmo, as decisões do Corpo se aplicam - e de modo obrigatório - a todas as Testemunhas da terra.
Tendo sido um membro de terceira geração das Testemunhas de Jeová, o autor viveu entre elas os primeiros sessenta anos de sua vida, servindo em diversos países e em todos os níveis de estrutura organizacional. Desses sessenta, os últimos nove ele passou no conselho executivo central, o Corpo Governante. Aqueles anos o levaram à crise de consciência que tornou-se o tema deste livro. É uma narrativa ímpar. Proporciona ao leitor uma visão das sessões decisórias de um conselho religioso fechado, e do poderoso, e às vezes dramático, impacto que suas decisões têm sobre as vidas das pessoas. Apresentada com sensibilidade e compaixão, a informação suscita ao mesmo tempo questões bem fundamentais, que tanto afetam quanto estimulam a nossa consciência.